sexta-feira, 8 de maio de 2009

Da janela do meu quarto ...

Esta noite aqui da janela do meu quarto eu observo as coisas ao meu redor. Na minha frente vejo alguns prédios, e em especial um prédio com pastilhas azuis. Neste prédio posso ver algumas pessoas. Em uma janela observo uma mulher baixinha com um lenço engraçado na cabeça cozinhando alguma coisa no fogão, certamente deve ser seu jantar.
Em outra janela vejo um gordinho careca sem camisa sentado no sofá em frente a sua televisão, ele esta sem camisa, de cueca e tem uma cerveja em uma das mãos, pela sua inquietação me parece esta assistindo a uma partida de futebol.
Em outro apartamento no mesmo prédio, vejo uma moça muito bonita, acabou de sair do banho com seus cabelos negros, molhados, enrolada em uma toalha branca, ela esta há algum tempo parada em frente a seu guarda-roupa, imagino que ela vá sair com seu namorado, por sua indecisão ao escolher sua roupa.
Logo abaixo do prédio de pastilhas azuis tem uma rua feia, mal iluminada. O caminhão do lixo não devia ter passado ainda, pois haviam vários sacos de lixo nela. Em um dos sacos de lixo tem uma mulher, ela não é bonita como a do prédio. Cabelos brancos, vestida em alguns trapos, rosto abatido, mais elas tem algo em comum, o mesmo olhar de duvida, mais no seu caso a indecisão era o que ela pegaria no lixo para saciar sua fome. Em quanto ela decide o que pegar, passa por ela um rapaz, que pelo que eu pude notar era um estudante, ele estava com uma camisa que parecia com uma farda, alguns livros em uma mão e na outra um cigarro. O que mais me impressionou foi como ele nem notou a presença da mulher ao seu lado, para ele ela nunca existiu, ele seguiu como se ela fosse invisível, deu mais alguns passos e entrou no prédio.
Observei por mais algum tempo e notei que o rapaz entrou no apartamento onde a mulher com o lenço engraçado estava cozinhando. Ele deixou os livros na mesa e sentou, logo em seguida a mulher lhe deu um prato de sopa, que ele comeu calmamente.
Voltei meus olhos mais uma vez para a mulher no lixo, mais dessa vez ela não estava sozinha, havia com ela duas crianças, eles também estavam maltrapilhos e dividiam um pedaço de pão com a mulher.
Depois de um tempo o estudante se pôs a fumar na janela, enquanto a mulher com as duas crianças se afastava. Fiquei me perguntando se dessa vez ele tinha visto a mulher? Acredito que não, pois logo quando acabou o cigarro, ele apagou a luz e fechou a janela. A moça que escolhia a roupa já estava arrumada, estava vestida com um belo vestido preto.
Depois de refletir sobre tudo que eu tinha visto da minha janela aquela noite, eu escuto um grito, corro para a janela assustado, quando vejo na varanda do prédio em frente, o gordinho careca com a cerveja na mão aos pulos de felicidade.
“Vitoria” tricampeão baiano.

victor lopo

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